📖 Minha Reflexão Completa Para Você
O Peso da Mágoa e a Sensação de Não Ser Valorizado
Eu tenho certeza de que, nesse exato momento, você está sentindo mágoa por alguma situação ou por alguém. E essa mágoa está te causando uma tristeza muito grande, de modo que você não está conseguindo se desvincular dela. Parece que aquilo está pesando dentro de você, e você só consegue pensar nessa situação e nessa pessoa que te magoou. Vamos dar uma olhadinha nessa situação aqui.
Sou Valéria Pereira, psicanalista e espiritualista. Minhas queridas pessoas, quem nunca sentiu mágoa? Quem nunca sofreu porque alguém fez alguma coisa que, no seu olhar, foi contra você? Alguém te falou algo e você levou tanto para o lado pessoal — quando, às vezes, não era nem sobre você, mas sim sobre a outra pessoa que não estava em um bom dia.
Às vezes, a pessoa atravessou na palavra, às vezes estava de cara feia, ou fez alguma coisa que, de repente, estava dentro da possibilidade ou da condição dela, e aquilo gerou uma grande mágoa em você. Eu não estou falando aqui de situações graves, como maltratar ou enganar alguém, ou provocar uma situação para que o outro seja prejudicado. Estou falando das situações do dia a dia; coisas que acontecem na rotina, no trabalho, na família.
Um colega ali que, às vezes, está de cara feia ou dá uma resposta um pouco mais objetiva e direta; uma pessoa na família que dá uma "atravessadinha" em algum comentário... Enfim, é sobre esse tipo de situação que você acaba se magoando. E essa mágoa, quando fica ali sendo cultivada — quando você vai pondo água, pondo um adubozinho e deixando no sol —, ela vai curtindo e aumentando. E aí, o sofrimento ganha lugar.
No outro vídeo, eu falei sobre a dor. Quando você visita sempre aquela dor, aquele ocorrido que já não existe mais, que já aconteceu e já passou, toda vez que você faz essa visita, o que ela te causa? Um sofrimento. A mesma coisa acontece com a mágoa. A mágoa alimentada, que não é tratada e com a qual não se lida, vai te causar uma tristeza profunda.
Essa tristeza vai acabar se transformando em uma confusão mental. E o que é a confusão mental? É o desequilíbrio. Você fica descontrolado, desequilibrado e, muitas vezes, se sente assim diante da outra pessoa. Às vezes, você precisa conversar com quem, supostamente, na sua cabeça, te deu uma palavra atravessada ou fez cara feia, e parece que tem até dificuldade de falar com ela. Você sente ansiedade, sente o corpo tremer por dentro, sente um desespero só de pensar que tem que falar com aquela pessoa. Então, o que é isso? É um desequilíbrio mental. Você fica desorientado.
Eu vou resumir a mágoa e a tristeza dizendo o seguinte: a mágoa e a tristeza são causadas por algum fator que nos desapontou. O desapontamento se refere a algo que não estava do jeito que gostaríamos que estivesse. E por que ficamos desapontados? Por que nos sentimos desapontados com alguém? Porque essa situação saiu do nosso controle. Nós temos uma tendência gigantesca a sermos controladores.
Por Que Levamos Tudo Para o Lado Pessoal nas Relações?
Você pode até parar para imaginar o seguinte: quantas vezes no dia você pensa sobre uma situação e fica criando uma historinha na sua cabeça? Imagina você falando isso, aquilo e aquilo outro... Mas nunca acontece do jeito que você previu, do jeito que você falou e, muito menos, do jeito que você planejou falar. Não vai acontecer.
Então, toda vez que você fica desapontado ou desapontada, o que significa? Que você sentiu que perdeu o controle — perdeu o controle sobre o outro, sobre a situação. Não saiu do jeito que você queria, não saiu do jeito que você programou na sua cachola, na sua fantasia, no seu mundinho, no seu filme. Não saiu do jeito que você preparou e imaginou. Por isso, sim, vai te causar um desapontamento.
E sabe por que esse desapontamento é causado? Por causa do ego inflado, por causa do orgulho. As pessoas dizem: "Imagina, eu não sou orgulhosa!". Quer um exemplo? Uma pessoa combina algo com você e, no dia do compromisso, ela manda uma mensagem dizendo: "Ah, eu não posso ir". E você já tinha montado um programa inteiro para fazer com ela: ir a tal lugar, conversar sobre tal assunto... No momento em que você recebe a mensagem dizendo "Não vou, não posso ir hoje", a primeira coisa que você faz é levar para o lado pessoal. Você não para primeiro para pensar no que aquela pessoa pode estar passando para ter desmarcado tão em cima da hora. Você simplesmente levou para o pessoal e nem se preocupou em entender profundamente o que pode estar acontecendo com ela.
E aí, o que acontece? O seu eguinho — porque o nosso ego nos enche de pensamentos intrusos e desnecessários — vai ficar buzinando no seu ouvido: "Está vendo? Aquela pessoa combinou e não cumpriu. Está vendo como você fica dando atenção, correndo atrás e convidando para fazer as coisas? Ela nem liga para você, ela nem se importa com você".
Esse ego, que só joga pensamentos intrusos, cresce porque se sente o dono da razão, o rei do pedaço. Ele lança o veneno, lança o pensamento intruso, e você acredita. Você acredita no seu ego inflado, acredita em todas essas coisas que vêm à sua cabeça e que, em 95% das vezes, não fazem sentido nenhum e não são verdade.
Então, quando você se coloca dessa maneira diante de uma situação — ficando brava com o outro, julgando e falando mal porque cancelaram o compromisso —, é o seu orgulho que está ferido. Isso é orgulho. O orgulho usado em seu lado sombra, no lado negativo.
Aí você pode me perguntar: "Mas orgulho é orgulho?". Não. Toda emoção tem um lado luz e um lado sombra. Qual é o orgulho usado no lado luz? É quando você realiza uma atividade, faz um trabalho, faz um relatório, enfim, realiza algo que ficou muito bem-feito e diz: "Uau, Valéria, parabéns! Olha como esse trabalho ficou bom. Olha essa aula que você deu, como você se preparou e como ela ficou ótima. Olha esse atendimento, como foi bom". Esse é o orgulho do lado luz, em que você aprecia algo positivo que realizou.
A Projeção Psicanalítica: O Que Cobramos do Outro
E qual é o orgulho do lado sombra? É pensar: "Viu só? Aquela pessoa desmarcou o combinado. Ela me fez me preparar para sair, me fez fazer isso e aquilo... Que ridículo! Quem ela pensa que é?". Isso é o orgulho ferido. Isso é o ego inflado.
O que acontece é que eu me sinto com esse orgulho ferido, primeiramente, porque não tenho autoestima; a minha estima está lá embaixo. Sabe quais são as consequências de uma baixa autoestima? Eu vou me sentir carente. A pessoa manda uma mensagem dizendo que não vai, e o egozinho carente já apita na sua orelha. Eu vou me sentir como se o outro estivesse me desrespeitando: "Nossa, ele me desrespeitou porque combinou e não vai".
Antes de avaliar se foi desrespeitado ou não, coloque a mão na consciência e olhe para o porquê de o outro não vir a esse encontro. Por que ele combinou algo e disse que não vai poder fazer? Porque esse outro também tem dores, inseguranças, medos e, às vezes, também tem baixa autoestima.
Com isso, você percebe que se torna uma pessoa intolerante. Nós nos tornamos intolerantes quando, antes de procurar compreender a situação, já julgamos, já vamos com dez pedras na mão e lançamos isso como se a nossa verdade fosse absoluta, sem ao menos parar para refletir e entender a situação como um todo, agindo por aquele impulso que bate na cabeça de repente e nos faz achar que foi um absurdo.
Nós nos tornamos egoístas porque uma pessoa que sabemos que gosta de nós, que tem carinho — um amigo, uma amiga, um namorado, uma namorada ou alguém da família — combina algo e, por algum motivo, não aparece, e nós nem procuramos saber o porquê. Mais uma vez eu digo: não procuramos conhecer o que está acontecendo. Estamos sendo pessoas intolerantes, simples assim.
Esses dias, conversando comigo mesma, eu estava pensando sobre Jesus na época dos fariseus. Nós sabemos que os fariseus eram extremamente cheios de preconceitos. Achavam que só eles estavam certos e que o outro estava errado. Se não fosse do jeito deles, não era verdadeiro e não valia a pena. E se o outro aparecesse um pouco mais, era motivo para destruí-lo, porque só eles podiam aparecer. Então, eles falavam mal, julgavam, maltratavam, desrespeitavam e foram capazes de montar muitos esquemas para desmoralizar a figura de Jesus Cristo.
Até hoje, dois mil anos depois, nós ainda nos comportamos como fariseus. Não procuramos compreender a base da situação antes de julgar; simplesmente vamos lá e julgamos. Já vamos com dez pedras na mão: falamos mal, julgamos, discriminamos, recriminamos. Somos intolerantes e egoístas. Tudo porque estamos carentes, com falta de nós mesmos. Não estamos cheios de nós. Ficamos esperando que o outro seja o nosso salvador, esperando que o outro venha nos completar com aquilo que nós mesmos precisamos nos dar. Ficamos esperando que o outro faça por nós o que nós precisamos fazer por nós mesmos.
A Metáfora do Copo Vazio: Quem É Responsável por Preencher Você?
E, claro, o outro está lá na situação dele, tentando também se preencher, lidando com seus próprios caquinhos, tentando colher os pedaços do vaso dele que quebrou.
Com isso, percebam que julgar, maltratar, falar mal, discriminar e recriminar — e repito tudo isso para que fique bem compreendido — mostra que o que fazemos quando o outro não nos dá o que queremos não tem a ver com o outro, tem a ver conosco. Vou repetir: quando eu julgo, maltrato, tenho preconceito, falo mal, discrimino e recrimino, faço isso porque espero que o outro me dê aquilo que eu não estou me dando.
Porque se eu estiver me dando atenção, se eu for compreensiva comigo, se eu for tolerante com os meus erros, se eu me respeitar, se eu não for egoísta comigo mesma, se eu não me maltratar, não me culpar e não me julgar (no sentido de ficar pensando: "eu deveria ter feito aquilo")... O que vai acontecer se eu não estiver me enchendo dessas coisas boas? Eu vou ficar vazia, vou ficar carente e vou ficar sempre esperando que o outro venha preencher o meu copo que está vazio. E o outro nunca vai fazer isso. Ele não tem esse poder. Ele também está tentando encher o copo dele.
Aqui vão algumas dicas para você trabalhar o seu orgulho e o seu ego inflado: se você se sentiu mal ou desconfortável com o tratamento que o outro te deu, investigue. Investigue antes de tirar conclusões precipitadas que podem te machucar ainda mais se não forem verdadeiras. Procure saber por que essa pessoa agiu assim, que momento ela está vivendo, que situação está passando. Porque, minhas pessoas queridas, amanhã posso ser eu nessa situação. Amanhã eu posso combinar algo com alguém e não cumprir, porque serei eu a passar por uma situação que não me permite realizar aquilo que havia concordado. Percebem que o que acontece com o outro acontece conosco também?
Então, vamos voltar para a dica: você precisa se dar o que gostaria que o outro te desse. Se eu quero que o outro me dê atenção, eu preciso me dar atenção. Se eu quero que o outro seja legal comigo, eu preciso ser legal comigo mesma. Eu preciso me validar. Se eu acho ruim porque o outro não está me valorizando, é porque eu não me valorizo. Se eu espero a validação do outro para ser feliz na vida, significa que não estou me validando.
Eu preciso ser compreensiva comigo, compreensiva com os erros que cometo, para procurar não cometê-los novamente e adquirir maturidade com eles. A culpa não vai resolver a situação. Se você cometeu um erro e se arrependeu, então, dali para a frente, o que fazer? Procurar não agir mais daquela maneira, porque você já sabe que, se agir assim, vai se sentir mal depois.
Tudo é uma questão de preenchimento.
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Nós ficamos esperando que o outro nos preencha porque não nos preenchemos. Percebam que precisamos nos preencher, nos conhecer, nos entender e saber quem somos, porque, senão, vamos passar o tempo todo esperando que o outro venha nos trazer essas coisas que nós mesmos temos que nos fornecer.
E esse outro nunca vai trazer na proporção que queremos. Ninguém tem esse poder para conosco além de nós mesmos.
Essa é a raiz da mágoa que vai gerar a tristeza: tudo isso que eu destrinchei para vocês.
Então, minhas queridas pessoas, o primeiro ponto importante: não leve nada para o lado pessoal. Investigue, procure entender o outro, mas procure entender a si mesma. Preencha-se, compreenda-se, valide-se. Senão, você nunca vai ser feliz, porque vai estar sempre esperando que o outro encha o seu copo. E o seu copo, quem tem que encher é você. É sua responsabilidade.
Eu desejo que vocês pensem sobre esses pontos. Desejo que, de alguma maneira, isso faça sentido para você.
Desejo que você possa começar a encher o seu copo de você para você mesma.
Um beijo no seu coração.