📖 Minha Reflexão Completa Para Você
O Peso de Ficar Preso ao Que Já Passou
Olá, minhas queridas pessoas. Eu gostaria que você me falasse o seguinte: você, nesse momento, está sentindo alguma dor? Eu não estou falando de dor física, eu estou falando de dor na tua alma. Alguma coisa aí está te doendo?
Por que será que existem dores que nos seguem por tanto tempo e nós não conseguimos, com uma certa facilidade, nos livrar dessas dores da alma? Como é que você tem encarado as dores que aparecem pelo seu caminho, as dores que cruzam o seu caminho? Você tem sofrido muito com os ocorridos, com as situações que aparecem na tua vida?
Vamos tentar entender um pouco, de uma maneira um pouco mais simples e mais objetiva, qual é o processo da dor na nossa vida. Aqui é Valéria Pereira, psicanalista espiritualista.
Olha só, quem nunca sentiu dor na vida? Eu já tive várias dores na minha vida: dores profundas, dores um pouco mais superficiais, dores passageiras, dores que demoraram para passar. Até que, no processo da psicanálise e no processo da minha reforma íntima, eu consegui entender qual era o real lugar da dor, onde e como eu deveria lidar com ela.
E aí, sabe por que eu sofro? Porque a dor nos faz sofrer. Ela fica lá latejando, e isso me faz sofrer. Então, por que é que eu sofro? Porque eu não aceito que essa dor que bateu ali na porta da minha casa seja momentânea. Mas como assim, Valéria? Então, olha só, vamos ponto por ponto aqui que eu vou destrinchar com vocês.
Toda vez que eu tenho uma situação dolorosa — e eu vou dar um exemplo aqui para vocês do dia a dia. Vamos supor: fui demitido. Achei que estava tudo bem no trabalho, cheguei lá um belo dia e o meu chefe me fala: "Você está demitido". Aquilo cai como uma bomba em mim. Eu tenho família, eu tenho boletos para pagar, eu tenho planos para realizar. O que é que eu vou fazer agora? No momento em que eu recebo essa notícia, ainda quando estou no processo de choque da notícia, eu ainda não me percebi sentindo a dor.
Depois que passa um tempo, que eu faço o que tenho que fazer, que eu vou para casa, aí é que eu vou começar a sentir essa dor. Ou seja, a dor de ter sido mandado embora, a dor de ter sido demitido. Então, nesse momento, aquela dor me vem, ela me pega. Às vezes aqui no nosso chakra cardíaco, às vezes ela vem enrijecendo o nosso corpo, às vezes vem com palpitação, às vezes vem com suor frio, às vezes vem com dor de cabeça. Enfim, são vários os efeitos no corpo físico que essa dor nos faz ter.
A Diferença Fundamental Entre Sentir Dor e Alimentar o Sofrimento
Então, nesse momento, o que é que eu preciso fazer? Eu recebo essa dor. Fui demitido, tá bom? Fui demitido. Eu recebo essa informação, eu acolho essa informação e eu procuro compreendê-la. Bom, fui demitido. O meu chefe me passou essa, essa, essa e aquela informação. E eu também acho que eu não vinha lá desempenhando muito bem o meu papel, eu andava meio desmotivado, meio desanimado. Então, o que é que eu fiz? Eu compreendi a situação.
E aí, depois que eu recebi a notícia, acolhi essa situação e compreendi o que está acontecendo, a partir de agora vem a coisa mais importante que eu vou fazer: o que é que eu vou fazer a partir de agora para mudar essa situação? Fui demitido, fui. Essa é a realidade? É. A realidade é plena e é libertadora.
Então, daqui para frente, o que é que eu vou fazer? Vou grudar a bunda no sofá e ficar me lamentando? "Por que é que eu fui mandado embora? Por que é que aquele chefe, por que é que os colegas de trabalho...?" O que é que eu vou fazer na minha vida agora? Ó céus, ó dia, ó lugar... Isso não é entender a situação. Vamos para um plano de ação.
Tá bom, fui mandado embora. OK. Bora lá! O que é que eu vou fazer a partir de amanhã para que eu comece a reverter essa situação? Então, aí eu vou para os meus planos de ação. Como é que eu vou me colocar no mercado? Como é que eu vou lançar o meu currículo, quer seja no LinkedIn, ou onde quer que seja? Então, eu vou para um plano de ação. E aí, sabe o que é que acontece? Você toma, ali naquele momento, uma decisão de não ficar revivendo aquela dor da demissão.
Toda vez que eu tenho uma dor e eu fico visitando e revisitando essa dor que está no ocorrido do passado, é aí que vai entrar o meu sofrimento. Então é isso, minhas pessoas, o que acontece é o seguinte: se eu fico visitando aquela situação que aconteceu, se eu fico visitando aquele momento, a minha dor vai virar sofrimento.
E essa é a grande sacada. Eu só vou me manter sofrendo por alguma coisa se eu continuar visitando aquele momento no passado. E aquele momento não existe mais. Vocês concordam comigo que aquele momento não existe mais? A demissão já foi feita, eu já não estou mais trabalhando na empresa, aquela situação não existe mais. O que eu tenho agora é de agora para a frente.
Então eu paro de ficar revisitando, me remoendo e me lastimando em cima daquele ocorrido, porque aí eu vou ter forças para tomar uma postura, levantar, sacudir a poeira, dar a volta por cima e fazer o que eu preciso fazer para me recolocar novamente no trabalho.
O Perigo do "Sapo na Panela": Quando Nos Acostumamos ao Que Faz Mal
Quer outro exemplo? Um relacionamento que terminou. Você está namorando, está casado, enfim, está em um relacionamento e a pessoa simplesmente termina. E aí você leva um choque, porque pensa assim: "Nossa, mas estava tudo bem". Não, minhas queridas pessoas. Nenhum relacionamento, quer seja amoroso, quer seja de amizade, termina de um dia para o outro. É você que não vinha observando os sinais que estavam acontecendo nessa relação. Nada acontece de um dia para o outro. Às vezes a gente finge que não está vendo as coisas porque não quer enfrentar a situação. Mas a pessoa já vinha dando sinais há muito tempo, tá?
Então, a pessoa terminou. Eu levo um choque, vou para casa e vou fazer o quê? Vou acolher essa minha dor, tá? Eu amo essa pessoa, fiquei muito tempo com ela e ela terminou. Está doendo? Está. Mas a minha vida parou aqui? Eu dependo desta pessoa para que a minha vida continue a funcionar? Eu dependo deste relacionamento para levantar e fazer alguma coisa por mim?
Então, eu recebo, eu acolho e eu compreendo. Como é que eu compreendo? Vamos começar a pensar: quais foram os sinais que foram sendo dados ao longo desse período em que você esteve com a pessoa? A pessoa te tratava bem? A pessoa te tratava mal? A pessoa demonstrava desejar estar ao seu lado? A pessoa te dava muitas desculpas para não estar com você? A pessoa te desrespeitava? Enfim, você começa a relembrar sinais que foram dados para que a relação fosse se desgastando. Então você está compreendendo a situação a partir desse momento, tá?
O que é que eu vou fazer? Eu amo a pessoa. Às vezes é amor, gente; às vezes você está acostumado a estar com ela. Você entrou em uma zona de conforto que não é conforto, é desconforto, né? Aquela pessoa me maltrata, aquela pessoa não me respeita, aquela pessoa não sente prazer em passar algum tempo comigo... Enfim, você já está em uma zona de desconforto, mas às vezes é mais fácil ficar ali parado, né? Porque dá um trabalho ter que arregaçar as mangas e procurar motivação e outras situações para fazer e realizar na vida. Então você vai ficando ali.
Lembra da história do sapo na panela? Coloca-se um sapo dentro de uma panela e liga-se o fogo. Aquela água vai ficando quentinha, quentinha. Aquele sapo vai ficando lá e fala assim: "Ai, tá tão quentinho aqui! Ai, que gostoso! Ai, que gostoso!". Até que chega um momento em que essa água vai ferver e o sapo vai morrer.
Quantas vezes nós não somos iguais ao sapo? Naquela panela com o fogo ligado, a gente fica lá: "Ah, tá tudo bem... Ah, tá bom aqui... Ah, não quero ter trabalho... Ah, deixa eu ficar desse jeito". É a água esquentando e, quando a água ferver, o sapo morre. E quando a água ferve na nossa vida, as coisas caem, as coisas acontecem.
Então, nesse momento, o que é que eu vou fazer? Eu preciso entender, compreender a situação e aceitar a situação. Para que é que eu vou querer ficar com uma pessoa que não estava me fazendo bem? Por que é que eu vou querer ficar com uma pessoa que chegou para mim e disse: "Não quero mais me relacionar com você"?
Como o Sofrimento Prolongado Afeta o Corpo e a Saúde Mental
Cada um de nós é livre e cada um de nós tem um motivo para ficar ou não ficar em um relacionamento. Pode até ser que vocês já conversaram em outros momentos e vocês de repente nem tentaram se ajustar. Às vezes vocês não foram para uma terapia de casal, vocês não tentaram entender o ponto de vista um do outro. Enfim, esse é um assunto um pouco mais amplo e não é o foco aqui da nossa conversa.
O foco aqui é o seguinte: aconteceu a situação. Se eu ficar me remoendo e voltando lá naquela dor, isso vai me gerar um sofrimento gigantesco. Todo dia eu vou acordar em sofrimento, vou passar o dia em sofrimento, vou dormir em sofrimento. Isso vai me atrapalhar no meu trabalho, nas minhas relações, na minha família... Vai me atrapalhar, acima de tudo, comigo mesma, com a minha paz de espírito e com o meu amor-próprio.
Então, vocês percebem? Aconteceu a situação, eu preciso tomar uma postura: compreender o que aconteceu. Aconteceu, aconteceu. Isso, isso, isso é fato.
Então agora, o que é que eu vou fazer? Eu vou elaborar um plano de ação. Qual é o meu plano de ação? Não estava dando certo, e eu não vou querer me permitir colocar em uma relação que não estava sendo boa nem para mim e também não estava sendo para a outra pessoa. Senão, a outra pessoa estaria com você, não teria terminado.
Então, quando eu tomo essa postura, quando eu assumo essa posição de levantar, de procurar me distrair, de fazer coisas que vão me distrair, de entender não só o lado da outra pessoa, mas o meu lado, de entender que aquilo não estava mais funcionando... Eu acolhi, paro de ficar vivendo aquela dor todos os dias e parto para quê? Para uma nova postura, um novo posicionamento.
E aí, gente, é assim: tudo o que eu não acolho, eu não compreendo e eu não procuro trazer uma solução, um plano de ação, isso vai causar sofrimento. E esse sofrimento, ele vai se repetindo diariamente na minha vida. Em algum momento, esse sofrimento vai se tornar um desequilíbrio emocional; vai mexer seriamente com o teu equilíbrio, você vai ficar desequilibrado.
E sabe por que eu fico desequilibrada emocionalmente? Porque eu não concordo com o que eu recebi no passado. A situação aconteceu e eu não concordei. Eu não concordei com o que aconteceu. Então eu não compreendi, eu não acolhi, eu não respeitei as pessoas envolvidas e eu não segui em frente.
Reforma Íntima e Plano Prático Para Recomeçar
E aí, gente, eu preciso muito alinhar o meu emocional com o meu espiritual. Lembra da tal da reforma íntima? Se eu não tiver uma conexão profunda com o meu espiritual, com essa fonte criadora, com o meu eu, fé em algo, o que é que vai acontecer? Eu não vou estar me abrindo para conhecer quais são as minhas dores profundas.
E aí a gente tem que entender o seguinte: se eu não me conheço, eu vou continuar nesse lugar de sofrimento. Se eu não me conheço, eu continuo refém daquela dor, daquela outra dor, daquela outra dor. Aí isso vira um pacotão e vira um sofrimentão bem grandão, que vai bater todo dia na tua portinha e vai conversar com você.
Então eu preciso muito entender o seguinte: quando eu não começo o meu processo de reforma íntima, de me conhecer, de trazer à luz aquilo que está lá no porãozinho da minha alma, de entender os meus gatilhos — a terapia vai te ajudar a entender os seus gatilhos, entender os dramas que eu continuei trazendo para o presente, mesmo já tendo encerrado no passado —, aceitando... Eu preciso aceitar o que aconteceu. Não há outra alternativa.
Quando eu aceito, eu estou tomando uma postura de seguir em frente para me abrir para novas energias, ocupar novos lugares, ter um novo trabalho, conhecer pessoas novas. Vocês percebem que todo término, toda finalização de qualquer processo que seja, é uma grande oportunidade para que você conheça coisas novas na sua vida, para que você amplie os seus horizontes.
Então, é um casadinho. Eu vou cuidar do meu emocional, mas eu também preciso cuidar do meu espiritual. Sem fé em alguma coisa, eu não vou sair do meu lugar. Eu vou ficar dentro daquela panela com aquela água fervendo, sem ter a mínima noção de que aquela água quente vai me queimar e vai me matar.
Então, minhas queridas pessoas, o que eu não trago para a luz vai me adoecer. Então, quando a gente vê aí depressões, síndromes em geral, medos, inseguranças, solidão profunda, processos de TOC, de borderline... Tudo isso aparece por quê? Porque eu me desconectei de mim, porque eu ainda continuo naquele lugar daquela dor. Eu não segui adiante. Eu continuo vivendo aquele momento. Aquele momento não existe mais. Olhe para isso, minhas queridas pessoas: acabou. Acabou.
Vamos começar uma coisa nova. Vamos tentar algo novo. Vamos conhecer novas pessoas. Vamos tentar novas oportunidades de trabalho. Eu estou dando esses dois exemplos, mas isso serve para qualquer coisa na nossa vida. Então, quando eu vou cuidando da minha reforma íntima, consequentemente eu vou trazendo esse meu equilíbrio emocional; eles andam em conjunto.
Escolhendo a Liberdade Emocional e um Novo Caminho
E aí não tem para ninguém! Você está se entendendo, se conhecendo, você está se comunicando com a fonte criadora. É de dentro para fora, de baixo para cima. Aí você já está no caminho que vai te conduzir a coisas melhores, oportunidades melhores.
Faça isso, minhas queridas pessoas. Minha querida pessoa que está aí agora me assistindo: você tem capacidade, condições e dons para levantar, sacudir a poeira, dar a volta por cima e recomeçar de uma maneira nova, abrindo-se para novas oportunidades. Ofereça isso para a sua vida. Liberte-se daquela dor que não existe mais. O momento já passou. Seja livre. Escolha a liberdade, escolha a evolução. Escolha novos caminhos. Você tem condições de realizar isso na sua vida.
Fica aqui o meu grande beijo, um grande abraço para vocês, e que vocês tenham essa força que está aí adormecidinha para levantar e dar a volta por cima. Um abraço no coração de vocês. Fiquem todos bem. M.